Primavera.



Suspirar eu te amos não é sinônimo de afeto. Falar é muito fácil, muitas pessoas dizem que as palavras tem poder, mas para mim não. Palavras serão sempre palavras, nada mais do que isso. Hoje em dia um "eu te amo" é tão romântico quanto um "me passe o açúcar". Ou seja, palavras jamais me convencerão de algo. Assim como, não estou aqui para convencer ninguém com minhas palavras. O que vale mesmo é as atitudes, os gestos, a vontade de querer estar junto. Pequenos detalhes fazem toda uma diferença. Não estou aqui para agradar ninguém, apenas para tentar ser feliz. Cada pessoa tem uma maneira de pensar, assim como, uma forma de agir. Não é porque eu sou extremamente reservada em relação a sentimentos que eu não os tenho. Não é por não saber demonstrar que eu não sinto. Muito pelo contrário, dá ainda mais trabalho sentir e guardar, porque a vida toda eu precisei me proteger e acabei me acostumando a ser assim. Porque tudo é questão de vício. Me viciei tanto na solidão, que é bastante enlouquecedor dormir e acordar pensando em alguém.
Passar o dia tentando imaginar o que esse alguém está fazendo, no que esse alguém está pensando. É sempre mais fácil apontar o dedo para outra pessoa e conjeturar, mas acho bastante inconveniente julgar aquilo que se desconhece. Porque só nós mesmos sabemos o que se passa aqui dentro e o que, de fato, sentimos. Medir a intensidade de um sentimento é o mesmo que tentar adivinhar se no dia seguinte vai fazer Sol baseando-se apenas no céu estrelado da noite anterior. É incerto demais, confuso demais. E muitas pessoas perdem oportunidades incríveis por desejarem loucamente o calor mais ardente do Verão, o frio mais congelante do Inverno, em vez de dar uma chance para a Primavera florescer.

Doar-se. Doer-se.

Sempre soube que não deveria me entregar, que me manter fechada era o mais correto. Que baixar a guarda é o mesmo que cometer suicídio. O ser humano peca em se doar tanto. Em colocar intensidade aonde não existe nada. Porque quem se deixa levar por sentimentos acaba com o coração partido e o travesseiro encharcado, a noite. 
A verdade é que as pessoas nunca estão satisfeitas com o que tem. Querem sempre um desafio a mais, uma nova conquista, um troféu para exibir. Mas sentimentos não são objetos, não é algo que você pode dar descarga ou jogar no lixo que some. Sentimento é tipo, o primeiro gole de água quando a sede está imensa, acordar no susto de madrugada achando que está atrasado e descobrir que você tem ainda infinitas horas para dormir, ou um Gol de desempate em dia de Clássico. Enfim, é algo que não dá para se explicar, apenas sentir. Mas é uma pena que existem tantas pessoas que banalizam um sentimento tão puro assim. Que mentem, enganam e depois vem falar sobre amor. Ah, o amor...
Doar-se, doer-se.

Fatos da vida.

Porque ultimamente até as coisas mais simples estão se tornando complicadas demais. E fazia tanto tempo que eu não sabia o que era chorar e, de repente, me vejo tão chorosa, agarrada a um travesseiro. Não, eu não estou triste, chateada ou deprimida. Eu só estou cansada de ser tão vazia.
Acontece que meus dias tem sido um tanto tortuosos. E eu não tenho nem se quer um nomezinho para responsabilizar, na verdade, não faria muito sentido, porque a culpa desse buraco todo na minha alma é, exclusivamente minha...

48 horas.

48 horas; Sofrimento
48 horas; Ilusão
Não conseguirei, para ela dizer não.
Enlouquecerei se ela, eu não tocar
Mas o maldito relógio se recusa a me ajudar.
A hora não passa, os dias não vem.
Eu sou uma farsa, minto que estou bem.
Branca como a Neve, leve como o ar.
Inacreditável prazer que passou a me escravizar.
E as 48 horas irão me salvar ou, simplesmente, me matar.
48 horas, só mais 48 horas…

Eterno Efêmero.

Vivemos acreditando, ou tentando acreditar que tudo dura para sempre. Na verdade, estamos só nos machucando e nos martirizando com tal pensamento. Tudo que sobe, uma hora tem que vir ao chão. Ou seja, tudo que começa, tem seu fim. Por mais belo que seja, por mais que faça bem. Por mais que te deixe feliz. Passamos a nossa vida procurando pela perfeição, mas a perfeição é algo que não existe. Existe sim, pessoas que nos completam. E pecamos em buscar a perfeição onde só existe a realidade. Como toda garota, eu já acreditei em Contos de Fadas, mas Contos de Fadas reais, sem essa de Príncipe Encantado, Bruxa ou Madrasta má. Mas em relacionamentos incríveis, onde eu teria meu final feliz. Acreditava nisso piamente, busquei tanto, quebrei tanto a minha cara que finalmente deixei de acreditar em toda essa baboseira melodramática e passei a enxergar apenas a realidade. Sim, as pessoas mentem, enganam, iludem, mas não por serem pessoas más, mas por serem seres humanos. Não existe pessoas 100% boazinhas, como não existem pessoas 100% maldosas. Como eu disse, existe apenas a realidade. E a realidade não é nenhuma Malhação ou alguma Novela Mexicana, onde exista o casal de mocinhos que precisa lutar contra os vilões para poderem ficar juntos no final. A realidade é dura, mas é mais enlouquecedora e emocionante do que qualquer novelinha de quinta, a qual sabemos qual vai ser o último capítulo. Agora a vida... A vida não, a vida é bem diferente de tudo isso, não temos o poder de saber quem vai entrar nela, quem vai sair, quem vai deixar marcas mais profundas. Cada dia é algo novo, em questões de segundos o inesperado pode acontecer. É besteira tentar prever quais são os rumos que sua vida vai tomar, a única certeza que temos é que tudo que começa, uma hora ou outra, tem que ter um fim.

Alice, me empresta as maravilhas do teu País?

Passei tanto tempo correndo atrás do Coelho Branco. Ele que sempre esteve atrasado e apressado. Corri tanto, durante anos, que chegou uma hora em que a fadiga tomou conta de mim e eu cansei de tentar acompanhá-lo. Parei e em poucos instantes o vi sumir na multidão. Correr atrás de algo sem rumo, às vezes, não é a solução. Parar para pensar, muitas vezes, é interessante. É inevitável uma análise para descobrirmos onde estamos pisando, até onde o nosso passo alcança e se é que existe o País das Maravilhas, afinal. Viver andando sem curso, seguindo algo que não se tem certeza ser real, além de cansativo, pode ser um tanto ilusório como um Coelho usando um Paletó. E de tanto correr em círculos, chega uma hora em que você se sente esgotado. Sem esperanças, sem perspectiva de vida alguma e começa a deixar de viver e passa apenas a existir. Esquece de todos os cheiros, cores e sabores. Não mais vê graça em um sorriso discreto e deixa de admirar as coisas mais belas e simples que a vida lhe proporciona. Porque, ao meu ver, precisamos de algo para nos motivar e nos aventurar de verdade. A vida é assim, como um Rio, sempre com a água corrente, sempre em linha reta. Assim como o Coelho Branco, sempre correndo, sempre adiante, sempre com pressa, sempre atrasado. E de tanto procurarmos as maravilhas de um País, esquecemos de viver e com isso, não percebemos que elas sempre estiveram bem aqui.